Ghibli-verso: OpenAI retira função que permite geração de imagens no estilo do Studio

A OpenAI anunciou uma nova funcionalidade do seu modelo GPT‑4o que promete elevar o nível da geração de imagens por Inteligência Artificial. A partir de agora, o ChatGPT incorpora nativamente um gerador de imagens avançado, capaz de criar ilustrações detalhadas, coerentes e sensíveis ao contexto das conversas, com forte compromisso com segurança e transparência.

A novidade amplia as possibilidades de uso do modelo multimodal da OpenAI, permitindo que usuários descrevam imagens em detalhes – incluindo proporção, cores específicas e estilo – e recebam ilustrações alinhadas ao pedido. Segundo a empresa, a geração de imagens no GPT-4o se destaca por seguir os prompts com precisão, renderizar textos com fidelidade visual e manter coerência mesmo em criações complexas, que podem incluir de 10 a 20 objetos distintos.

Além disso, o modelo permite transformar ou complementar imagens enviadas pelo próprio usuário, garantindo consistência durante todo o processo de criação. Isso torna a ferramenta especialmente útil para projetos que exigem refinamento visual contínuo, como design de personagens para videogames ou desenvolvimento de materiais educativos.

A OpenAI afirma que a tecnologia foi treinada na distribuição conjunta de imagens e textos online, o que permitiu ao GPT-4o entender não apenas a relação entre palavras e imagens, mas também as conexões entre diferentes elementos visuais. Esse treinamento, somado a um pós-processamento robusto, garante que as imagens geradas sejam fluentes, sensíveis ao contexto e visualmente consistentes.

A geração de imagens já está disponível para usuários dos planos Plus, Pro, Team e Free do ChatGPT, sendo o gerador padrão da plataforma. Em breve, o recurso também estará acessível para clientes Enterprise e Edu. Os usuários que preferirem continuar utilizando o modelo anterior, DALL·E, poderão acessá-lo por meio de um GPT dedicado.

Mas, qual é a polêmica?

Ao mesmo tempo que a atualização recente da OpenAI para o modelo GPT-4o reacendeu o fascínio, trouxe também preocupações em torno do uso da Inteligência Artificial (IA) generativa. Após a empresa liberar novas funções que permitem a criação de imagens e vídeos inspirados em estilos artísticos populares, o público passou a criar conteúdos que imitam o icônico traço do Studio Ghibli, referência mundial em animações detalhadas e desenhadas à mão, responsável por animações como A Viagem de Chihiro e Meu Vizinho Totoro.

Nas redes sociais, a novidade rapidamente virou trend. Usuários começaram a transformar fotos pessoais, momentos históricos e cenas da cultura pop em versões que pareciam saídas diretamente de um filme de Hayao Miyazaki. O movimento, apelidado de “Ghibli-verso”, começou de forma leve e divertida, com internautas compartilhando recriações encantadoras de seus registros cotidianos.

Até o CEO da OpenAI, Sam Altman, entrou na brincadeira, trocando sua foto de perfil no X (antigo Twitter) por uma imagem gerada no estilo Ghibli e, em tom bem-humorado, escreveu: “Mudei minha foto de perfil, mas talvez alguém faça uma melhor para mim”.

Reprodução: X.

No entanto, o que começou como entretenimento logo ganhou contornos polêmicos. Não demorou para surgirem imagens sensíveis e controversas, como representações no estilo Ghibli dos atentados de 11 de setembro, do assassinato de John F. Kennedy e até do próprio Altman prestando depoimento no Congresso dos Estados Unidos. O perfil oficial da Casa Branca no X também acabou envolvido na tendência.

Direitos autorais

Paralelamente à viralização, um debate ético ganhou força. Especialistas, artistas e usuários alertaram para possíveis violações de direitos autorais e questionaram o impacto da tecnologia sobre o trabalho humano. Quando surgiram as primeiras ferramentas de IA generativa disponíveis ao público geral, um movimento similar aconteceu com a geração de imagens no estilo de animação da Pixar, com a solução do Bing, da Microsoft.

Além disso, surgiram críticas ao que alguns chamaram de “lixo de IA” referindo-se ao excesso de imagens produzidas sem curadoria ou contexto sensível.

Diante disso, o CEO da OpenAI publicou novamente: “As imagens no ChatGPT são muito mais populares do que esperávamos (e tínhamos expectativas bem altas). Infelizmente, o lançamento para nossa camada gratuita será adiado por um tempo”.

A capacidade do GPT-4o de replicar estilos consagrados reacende discussões já conhecidas no universo digital: até que ponto a tecnologia pode – ou deve – imitar o trabalho artesanal? E onde termina a brincadeira e começa a desvalorização do processo criativo?

*Fotos: Reprodução do X.

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