A Justiça condenou 46 pessoas envolvidas em um esquema de estelionato e organização criminosa após investigação iniciada pela 3ª Promotoria de Justiça de Ituporanga, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). A sentença reconheceu os crimes de organização criminosa, fraude eletrônica e falsidade ideológica, por conta de golpe com anúncios na internet. As penas somadas chegam a 2.077 anos, um mês e 26 dias, com penas individuais que variam entre três e 313 anos. 13 réus já estão presos preventivamente ou em prisão domiciliar.
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Esquema operava com falsos anúncios na internet
O grupo criava perfis de empresas fictícias para anunciar veículos em plataformas online e aplicativos de mensagens. Após convencer as vítimas com as ofertas falsas, os golpistas solicitavam o pagamento de entrada e, em seguida, enviavam documentos fraudulentos para induzir a quitação do valor restante.
Além disso, cobravam supostas taxas de transporte para entrega dos veículos. Em seguida, transferiam rapidamente os valores recebidos para contas de terceiros e realizavam saques em espécie. A organização utilizava “laranjas” para movimentar os recursos, dissimulando a origem ilícita do dinheiro. Em apenas 45 dias, o grupo movimentou cerca de R$ 6 milhões.
Ação iniciou com denúncia de vítimas em Ituporanga

A investigação começou em maio de 2023, a partir de denúncias recebidas pela Promotoria de Ituporanga. Diante da complexidade do caso, a Promotoria solicitou o apoio do Gaeco, o que resultou em diversas operações e mandados de busca e apreensão. Desse modo, a Operação Repasse foi deflagrada em agosto de 2023 e teve seu último desdobramento em 28 de janeiro de 2025.
Conforme o promotor de Justiça da 3ª Promotoria de Ituporanga, Juliano Antonio Vieira, somente entre janeiro e novembro de 2023, a organização realizou mais de dois mil saques e movimentou mais de R$ 16,9 milhões via transferências PIX. Apenas as vítimas que prestaram depoimento à Promotoria local sofreram prejuízo de aproximadamente R$ 1,65 milhão.
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Estrutura do grupo e vida de luxo
A organização funcionava com divisões claras: integrantes responsáveis pela criação dos anúncios, outros pelas negociações com as vítimas, e um terceiro grupo que cuidava da retirada e distribuição dos valores. O líder principal, condenado a 313 anos, mantinha controle absoluto sobre as operações, desde o contato com as vítimas até o gerenciamento dos recursos obtidos com os golpes.

Segundo o promotor Thiago Madoenho Bernardes da Silva, que iniciou as investigações sobre o golpe com anúncios na internet, os integrantes ostentavam uma vida de luxo com festas, veículos de alto padrão, bem como, motocicletas, barcos e motos aquáticas.
O grupo agia com a certeza da impunidade. No entanto, o Ministério Público de Santa Catarina está comprometido em combater a criminalidade com rigor, promovendo a justiça e protegendo a sociedade catarinense
afirmou.
O nome Operação Repasse faz alusão ao termo utilizado em revendas. A expressão é emprega quando um veículo entra como parte do pagamento na aquisição de outro automóvel de maior valor.