CM Entrevista: “As decisões estratégicas têm a ver com a ambição de futuro, e a do Grupo Fleury é ser um dos líderes em saúde no Brasil”

Em um dos períodos mais desafiadores da história da saúde, durante a pandemia da Covid-19, foi Jeane Tsutsui quem assumiu a missão de conduzir o Grupo Fleury. Médica cardiologista de formação, ela trocou o jaleco pela liderança executiva e, com coragem e sensibilidade, redesenhou a estratégia de uma das mais respeitadas empresas de medicina diagnóstica do país. O resultado? Reconhecimento em série: Jeane figura entre as 100 profissionais mais influentes da saúde e foi eleita CEO do Ano no Prêmio CONAREC 2024.

Médica cardiologista por formação, Jeane construiu uma sólida carreira executiva no Grupo Fleury, onde atua há mais de 14 anos. O processo de transição da medicina para a liderança corporativa foi encarado com a mesma disciplina e dedicação que marcaram sua trajetória médica. Buscando se preparar para os novos desafios, Jeane se especializou em negócios em instituições de renome, como FIA, USP, Harvard Business School, Wharton, Sloan School of Management (MIT) e University of Nebraska Medical Center.

À frente do Grupo Fleury, ela foi responsável por redesenhar a estratégia da companhia, referência nacional em medicina diagnóstica e serviços integrados de saúde. Prestes a completar 100 anos, a empresa se mantém consolidada como um polo de excelência, marca registrada de sua trajetória.

Homenageada nos 30 anos da Consumidor Moderno, Jeane conversou com exclusividade para o portal. Confira!

Visão de liderança

CM: Você assumiu o Grupo Fleury em um momento desafiador da pandemia. Como essa experiência transformou sua visão de liderança?

Jeane Tsutsui: A pandemia foi um momento muito difícil para todos nós que atuamos na área da saúde, mas também trouxe muitos aprendizados. Assumir como CEO do Grupo Fleury durante esse período trouxe o desafio de pensar cada vez mais em como, como organização que estava na linha de frente, poderíamos trazer resiliência e inovação.

O Grupo Fleury foi pioneiro no lançamento de alguns testes durante a pandemia, e nós nos desdobramos como organização para oferecer esses testes à população. Isso trouxe não só o fortalecimento da organização, mas também uma equipe mais unida, com pessoas engajadas nesse cuidado. Então, apesar de ter sido um momento muito difícil para a sociedade, para a saúde foi um período em que valorizamos ainda mais a ciência, a inovação e a resiliência. E, como organização, crescemos muito durante esse período – e no pós-pandemia também.

CM: Quais são os próximos passos para continuar liderando esse mercado? 

O Fleury sempre teve uma cultura de inovação, e as pessoas entendem a importância disso. É uma empresa de 99 anos que, o tempo todo, precisa se reinventar e manter um olhar jovem para o futuro.

Essa cultura nos permite não só buscar oportunidades de ampliar o acesso à saúde, mas também expandir nossa atuação geográfica e levar saúde de qualidade para mais brasileiros e brasileiras. Cada vez mais, temos esse espírito de combinar a maturidade de uma organização consistente na entrega de resultados com um olhar jovem de quem quer estar sempre na vanguarda da medicina e da saúde.

Tecnologia e humanização

CM: Sua gestão tem sido marcada por um equilíbrio entre crescimento sustentável e inovação. Qual foi a decisão mais estratégica que você tomou para manter esse equilíbrio? 

As decisões estratégicas sempre têm a ver com o olhar para a ambição de futuro. E a ambição do Grupo Fleury é ser um dos líderes em saúde no Brasil, fortalecendo cada vez mais esse posicionamento. Não só como uma empresa cujo core é a medicina diagnóstica, mas que se renova o tempo todo, inclusive com o lançamento de novos serviços para completar a jornada de cuidado do paciente – e sempre de maneira sustentável.

Para esse equilíbrio, é preciso, o tempo inteiro, tomar decisões que olhem tanto para o curto quanto para o longo prazo. E é isso que buscamos como liderança: tomar as decisões necessárias para o crescimento, garantindo que seja consistente e equilibrado.

CM: O setor da saúde está passando por uma transformação digital. Como o Grupo Fleury está incorporando tecnologia sem perder a humanização no atendimento? 

A tecnologia é vista como um habilitador, para que a gente tenha, ao mesmo tempo, maior eficiência operacional – que é tão necessária para o setor de saúde – e uma melhor experiência para o cliente. Ela permite personalização, construção de jornadas dedicadas a diferentes perfis e diagnósticos cada vez mais precisos.

Mas, o mais importante é: como incorporar essa tecnologia em benefício do cliente? É totalmente possível – na verdade, eu diria que é a tecnologia que torna a saúde cada vez mais acessível de diversas formas.

Hoje, por exemplo, já utilizamos Inteligência Artificial em vários pontos de contato com o cliente, sempre com o objetivo de, ao mesmo tempo que ganhamos eficiência, melhorar a experiência.

CM: Qual conselho daria para mulheres que desejam ocupar cargos de alta liderança? 

Primeiro, a preparação é importante, mas é essencial também ter abertura para aceitar desafios. Esse posicionamento de liderança só tem a ganhar com diversidade, equidade e inclusão. Não só no aspecto de gênero. No Fleury, por exemplo, mais de 80% do nosso quadro é formado por mulheres e temos 75% de mulheres nos cargos de liderança.

Discutimos o tempo todo o papel da mulher em assumir diferentes cargos e desafios. Então, estar aberta e disposta a aceitar esses desafios é fundamental. E claro, temos também um papel importante em falar sobre a importância de uma liderança cada vez mais diversa em vários aspectos. Isso traz mais inovação, mais performance e, na verdade, é um reflexo da nossa sociedade. É por isso que precisamos lutar por essa diversidade – no bom sentido –, ou seja, incentivá-la em todas as suas formas: gênero, raça, etnia, idade, LGBTQIAP+. Isso é saudável e faz com que as pessoas se sintam incluídas e possam exercer seu potencial pleno.

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